Decoração e Design – Arte vs. Usabilidade

O design e a decoração são duas áreas que andam sempre de mãos dadas. Muito se deve ao facto de a decoração ser, inevitavelmente, um ‘fruto’ do imenso pomar a que chamamos design ou seja, uma consequência do mesmo.

Ao que muitos consideram, o design não se prende obrigatoriamente por criar algo para despertar o prazer visual, mas sim do desafio de resolver um problema, algo que não funciona ou simplesmente que está “errado”. O design é fundamentalmente isso, a paixão por este desafio e de como é resolvido.

Dou-vos um exemplo concreto: Imaginem uma biblioteca. À partida poderia ser um local totalmente desprendido de design já que tem como seu único propósito a requisição de livros, ou apenas como local de estudo, leitura e concentração. Pois, é aqui que entra o design. O design é uma ferramenta (ou uma ciência?) que permite a transformar uma simples biblioteca “n’A Biblioteca”, criando uma sensação de encantamento e vontade de não querer mais sair dali.

Como? O design de decoração permite criar um espaço físico moderno, útil e inovador, e que por sua vez permite atrair mais usuários para a biblioteca e ainda manter os já existentes. Além disso, é capaz de potenciar ainda mais o espaço, dando-lhe mais utilidade, conforto e beleza estética.

O desafio do design é esse mesmo, resolver um problema e dar uma utilidade extra a algo, acrescentado-lhe valor. O bom design é intencional, tem um propósito, sendo que cada detalhe conta. Não há decisões aleatórias, muito menos argumentos como “Porque fica giro”.

Além do mais, o design deve ser coerente perante as necessidades do usuário. Deve ser por isso mesmo, centrado no utilizador final.

Mas vamos à questão central: como definir o limite entre o bonito e o útil e onde é que estes dois factores se encontram? A resposta, pode vir em forma de exemplo: decoração!

O design de interiores (usualmente conhecido como decoração) define-se como uma composição visual de ambientes que resultam nesta técnica cenográfica. Essa composição tanto pode ser uma parede pintada com uma cor diferente, como pequenos elementos que irão valorizar e aprimorar essa mesma composição (cómodas, vasos, espelhos…). Não perceberam ainda? Pensei da seguinte maneira: a arte de planear e organizar espaços depende do equilíbrio das relações estéticas e funcionais destes elementos. Ou seja, não basta ser estético (senão seria uma obra de arte de um artista plástico), e não basta ser funcional (senão seria uma peça de engenharia), tem que existir um equilíbrio entre estes dois detalhes. Além disso, e como referi anteriormente, deve corresponder a uma necessidade, melhorar algo, ou de forma mais generalizada: resolver um problema.

Imaginem este (ÚLTIMO) exemplo: ninguém colocaria almofadas na casa de banho – até poderia ser estético, mas nunca útil, já que ninguém vai passar longos serões de inverno num cubículo de 5m2 (digo eu….). Ou seja, seria apenas estético, mas nunca funcional, fazendo com que não houvesse qualquer tipo de acrescento de valor.

Bem, com isto tudo pretendo apenas ilustrar a minha ideia inical – a maneira de harmonizar um espaço elementos de decoração depende da sua relevância/utilidade aliado aos factores estéticos, já que é isso que suporta a arte da decoração.

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